quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Faz alguns dias o Chico nos perguntou na hora da janta se todo mundo morre. Confesso que "dei a letra" quando ele perguntou porque o Vinícius de Moraes era velho, ao ver uma foto. Eu expliquei que acontece com todo mundo: nasce, cresce, envelhece e morre. Daí ele perguntou se todos morrem, se ele vai morrer, se o papai vai morrer, se a vovó vai morrer...
Dias depois, indo pro parque, tocou no assunto novamente. Perguntou se quando ele, o papai, a titia, não sei quem e não sei quem morrer, a outra vovó vai morrer também. Então eu disse que cada um tem a sua hora.
Lembrei de quando me dei conta que as pessoas morrem, por volta dos quatro anos. Foi quando minha bisa se foi. Naquela ocasião eu entendi que um dia a minha mãe e a minha irmã morreriam também. Fiquei desamparada com a ideia e até hoje não sei se foi assim ou se criei isso, mas lembro de entrar no guarda-roupa e lá ficar chorando, chorando.
As crianças crescem. O tempo de recém nascido parece infinito nas poucas semanas em que dura, depois é difícil imaginar o bebê crescendo, mas você pisca e logo tem um menino correndo pela casa, perguntando mil por quês. Dois meninos, então! Crescem muito mais. Meus pequenos estão lindos de ver, Chico pergunta no almoço se o Julio gosta de batata doce, e o Ju responde cúmplice que não. Eles tem acordos de irmãos, eles se engalfinham por causa de um pedaço qualquer de plástico em forma de brinquedo, mas se agarram e se protegem. Deles brota uma luz que ilumina tudo ao redor. Precisa só sensibilidade pra ver.

















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